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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Quando a zona vende jornal



"Olha a Folha do Norte: Briga na ZBM manda dois para a Santa Casa!"
Quantas vezes gritei esta manchete (na realidade, título de reportagem da página policial) para vender a velha Folha do Norte, jornal maringaense das antigas, com direito a títulos com tipos de chumbo tortos, tinta que manchava na roupa e clichês gráficos.
Vendia outros jornais: Folha de Londrina, O Estado do Paraná, o novíssimo O Diário do Norte do Paraná, mas não entendia porque a Folha do Norte interessava mais aos leitores maringaenses. A Folha do Norte vendia como água, na Cocamar, na rodoviária e não saía mais porque tinha assinantes.
A Folha era pautada pela cidade, pelas coisas da cidade, falava da feira livre, da geada, do ladrão de galinha, do vizinho e do buraco de rua.
Portanto, aos 10 anos aprendi que uma briga na Zona do Baixo Meretrício (ZBM) interessava mais ao leitor local do que os atos do governo militar na distante Brasília. A proximidade é o primeiro atributo da notícia, mesmo que seja na zona da periferia.
A TV subverteu a ordem dos atributos da notícia, em primeiro lugar vem o drama, a novela-notícia, para manter a audiência e marcar a definitiva decadência e descrédito de nossa profissão.
Tristeza danada, hoje sei que a zona mais próxima está no tubo da TV!

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Patrões apresentam aos jornalistas a velha proposta de supressão de direitos


De acordo com o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná, desde o início deste ano, o piso dos jornalistas do Paraná está abaixo do salário mínimo necessário, calculado pelo Dieese – uma situação inédita. No entanto, os patrões acham que os profissionais da imprensa, ganhando o que ganham, estão inviabilizando os seus negócios, levando-os à bancarrota, fazendo com que vão à falência. Pouco importa se as rádios da região faturaram 33% a mais no acumulado do ano, se os jornais tiveram um incremento de 27,5% nas suas receitas ou as empresas de TV estejam com faturamento na casa do bilhão. O fato de os jornalistas estarem acumulando perdas há 11 anos também é um detalhe. As empresas de comunicação estão numa crise terrível em função da remuneração dos jornalistas e exatamente por isto ontem o sindicato das empresas de jornais e revistas apresentou, em reunião com o Sindijor, uma proposta tão velha quanto repetida: supressão pura e simples dos direitos dos trabalhadores. A oferta generosa dos patrões para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho contempla o congelamento do anuênio, a redução do adicional de horas extras (hoje de 100% sobre a hora normal), a expansão da jornada para sete horas ou criação de banco de horas e, o mais interessante, reajuste de incríveis 5%, para uma inflação de 7,2%. Nenhuma cláusula social foi contemplada, embora os patrões tenham “lido atentamente” a proposta formulada pelos jornalistas. O Sindijor está estudando a convocação de uma assembléia para que os profissionais se manifestem sobre as propostas. De toda forma, está confirmada uma reunião para a próxima quarta-feira, dia 15, às 15h, na sede do Sindijor, com o sindicato patronal de rádio e TV. Todos os filiados estão convidados a participar.