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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O bife de petróleo que alimenta a ignorância do nosso povo


Segunda metade da década de 70. A ditadura deitando o sarrafo e nós, 30 jovens calados e amordaçados, estudando Petroquímica. O diretor do curso, o excelente professor Heinz Siegfried Franzen, enchia nossas cabeças de Química Orgânica, Qualitativa, Quantitativa e Matemática pura. Precisávamos ocupar nossas mentes com qualquer coisa, menos política.
Numa bela manhã no laboratório, entre um fenol e outro, o alemão fez chegar as nossas mãos um livreto de propaganda da Petrobras de fazer inveja aos marqueteiros do governo Lula. Lembremos, estávamos no meio da crise do Petróleo e a Petrobras tomada por milicos precisava vender seu peixe, ou melhor o seu bife. Recordo-me de um artigo que dizia que os cientistas estavam desenvolvendo uma espécie de "bife artificial" em que a fonte protéica viria a partir das cadeias carbônicas fósseis. Quem conhece química sabe que tal síntese teoricamente é possível. Porém, para a desgraça das vacas, a idéia era tão estúpida que nunca mais a vi repetida em artigos científicos.
Pois bem, o governo Lula também inventou seu bife de petróleo, só que agora localizado milhares de metros no fundo do oceano, o tal pré-sal (que, pela idiotice do marketing de governo, deve ter sido concebido no pós-cachaça).
E como a estupidez move nosso mundinho pré-2012 (final dos tempos), quem sobreviver ao Apocalipse somente daqui a 15 anos verá a primeira gota deste petróleo nas bombas dos postos - e não me perguntem a que preço.
Hoje, importamos gasolina para atender o mercado interno, porém a propaganda diz que somos autosuficientes e mais, que estamos com a bunda bem em cima de uma das maiores reservas de petróleo do mundo. O probleminha é chegar lá. Mas isso é o de menos, embora em nosso tempo o povo possa discutir política, é bastante inferir que o marketing do governo leva em conta que 99,9% da população não entendem bem a Língua Portuguesa e, ora, por que entenderiam outra ciência?
Explica-se, portanto, porque a educação no Brasil está se limitando apenas a "ensinar" o povão a assinar o nome. E dá-lhe propaganda para esses pobres ignorantes que só querem no prato o miserável bife do Bolsa Família.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Cachaça com sal

Stanislaw Takeuspa é um bêbado, mas tem ótima memória. Polaco, morador do bairro da Barreirinha aqui em Curitiba, dono de inseparável rádio portátil AM que funciona com as amarelinhas, ele lembra que o anúncio da Petrobras sobre o petróleo da camada pré-sal foi há 4 anos, em em agosto de 2005. Fazendo seus cálculos, segundo os antigos preceitos e teoremas da Matemática pelo Método Confuso, Takeuspa soma, diminui, multiplica, faz careta, põe a língua pra fora, divide, tira a raiz quadrada e sentencia:

"O 'peraí' que São Paulo quer para analisar o projeto do governo é, no mínimo, mais 4 anos, oito meses e sete dias, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Ou seja, só 'enSerra' o 'peraí' depois da Dilma."

Como se olhasse para uma bola de cristal, Takeuspa fita o fundo do copo martelo de cachaça e conclui:

"Isso sem considerar que a coisa toda tem que ir para o Senado, e aí pondera-se com o fator Suplicy, o senador conhecido pela rapidez de raciocínio e discursos que nem mesmo ele entende. O risco é a gente virar petróleo para as próximas gerações."

Stanislaw acha bom o pré sal porque isso garante a produção de de cana para álcool etílico no lugar do álcool para combustível.

Cientista amador e bebedor profissional, Stanislaw já tomou etanol e disse que até o fusca que ele tinha na época ficou com dor de cabeça. Mas nem isso apagou sua grande dúvida sobre um subproduto da operação da retirada do petróleo: "o que essa gente vai fazer com tanto sal?!?".