quarta-feira, 25 de julho de 2012

O Português e o Latim no "câmpus" de espancamento


José Fernando Nandé

I. Introdução
Há a discussão entre acadêmicos brasileiros que versa sobre o uso das palavras latinas campus, campi. De acordo com alguns autores e, agora, consultores da lusitana língua, esses vocábulos deveriam ser substituídos pela palavra “câmpus” – ou “campus” apenas – tanto no singular quanto no plural. Tal discussão seria no sentido de trazer para o vernáculo uma palavra supostamente derivada das suas correspondentes latinas campus et campi, hodiernamente usadas no Brasil para designar o território, ou espaço, ocupado por instalação ou instalações físicas de universidades.
Este artigo sustenta que tal discussão é inócua, posto que o nome campus de há muito consta incorporado ao nosso idioma e corresponde ao substantivo campo e respectivo plural campos. Portanto, a posteriori deve-se demonstrar que a tentativa em curso de aportuguesamento de tal palavra está mais próxima de uma aberração linguística do que um acréscimo positivo à língua portuguesa e tudo por obra do equivocado e bárbaro marketing dos manuais de redação dos jornais.
II. O significado de campus
O uso do vocábulo campus, em latim, perde-se na noite do tempo. De possível origem grega, ele aparece em vários textos anteriores ao período Clássico inclusive, depois resiste aos períodos subsequentes da língua latina até o amanhecer no idioma português, inculto e belo, sempre com o mesmo sentido original, determinando um lugar, ou território, ou espaço, em perfeito acordo com os significados atribuídos a este verbete desde que ele é registrado pelos dicionários latinos:
Cāmpŭs, is – jardim, vergel, campo. 1º planície, plaino; campina cultivada, campo, veiga, terreno; produto da terra; 2º superfície igual, lisa, plana; 3º território; 4º Campo de Marte (em Roma), exercícios do Campo de Marte, comícios, assembleias do povo, votações, eleições; 5º campo da batalha, campo, liça, luta, contenda, curso, carreira.

Algumas citações clássicas para campus:
1 – Campos et montes peragrare (M. T. Cicero, 106 a.C – 43 a.C). Percorrer as planícies e os montes. [Dictionnaire Français-Latin, p. 143; 1868].
2 – Pingues Asiae campi (Q. Horatius Flaccus, 65 a.C e 8 a.C ). As férteis campinas da Ásia. [CHARLESWORTH, 1970].
3 – Coerulei campi (T. M. Plautus, 230 a.C – 180 a.C). As planícies azuladas (o mar). [Dictionnaire Français-Latin, p. 143; 1868].
4 – Attollitur unda campus (Publius Vergilius Maro, 65 a.C – 8 a.C) A planura (do rochedo) eleva-se acima das ondas. [P. Virgilii Maronis Opera omnia ex editione Heyniana, p. 731, 2V; 1819].
5 – Campus in quo exsultare possit oratio (M. T. Cicero, 106 a.C – 43 a.C). Campo (assunto) em que a eloquência possa desenvolver-se. [Dictionnaire Français-Latin, p. 143; 1868].
6 –Flubius que irrigat Cordoba, qui dicitur Bete, nascitur in campo Spanie et cadit in mare in oceanum ocidentale; currit milia cccxii. (Nominia Flubiorum, autor desconhecido, por volta de 800 d.C). “O rio que irriga Córdova, que se denomina Bétis, nasce num planície da Espanha e cai no mar no oceano ocidental, corre 412 mil passos.” [FURLAN, p. 308. 2006].
Pelo exposto, nota-se que os escritores latinos situavam campus na segunda declinação, pois esta palavra tem seu genitivo em i
III. A declinação de campus e o acusativo como caso lexogênico da língua portuguesa
Caso
Singular
Plural
Nominativo
campus
campi
Vocativo
campe
campi
Genitivo
campi
camporum
Dativo
campo
campis
Ablativo
campo
campis
Acusativo
campum
campos
Para efeito desta exposição e de clareza, citemos o seguinte exemplo tirado à segunda declinação, o nome próprio masculino Candidus, i:
Caso
Singular
Plural
Nominativo
Candidus
Candidi
Vocativo
Candide
Candidi
Genitivo
Candidi
Candidorum
Dativo
Candido
Candidis
Ablativo
Candido
Candidis
Acusativo
Candidum
Candidos
Por último, e para os mesmos efeitos, o nome feminino universitas, atis (3ª declinação):
Caso
Singular
Plural
Nominativo
universitas
universitates
Vocativo
universitas
universitates
Genitivo
universitatis
universitatum
Dativo
universitati
universitatibus
Ablativo
universitate
universitatibus
Acusativo
universitatem
universitates
Devidamente declinadas, é possível verificar que essas palavras chegam ao português por meio do modo latino acusativo. “Cedo o latim vulgar reduziu esse sistema de desinências (morfemas) de seis casos a apenas um. (...) Na Península Ibérica, os nomes se fixaram nas do acusativo (o do objeto direto). Por isso este se diz caso lexogênico do português (e do espanhol)” [FURLAN, 2006; p. 322]. 
Nesse ponto não há divergência entre os gramáticos. O que foi explicado pelo professor Oswaldo Antônio Furlan é praticamente o mesmo que é observado pelo professor Napoleão Mendes de Almeida, em sua Gramática Latina: “O acusativo, que é para o português o caso lexicogênico, isto é, o caso de que provieram os nossos vocábulos, termina geralmente em m no singular das cinco declinações. (...) O acusativo plural das cinco declinações termina em s (Por esse motivo é que o plural das palavras portuguesas termina em s)” [2000, p.89].
Logo, ao se colimar a regra geral tendo como parâmetros os casos particulares, em português Candidus fica Cândido/Cândidos e campus fica campo/campos (segunda declinação). Universitas, universidade/universidades (terceira declinação).
Mas essa explicação ainda não é a bastante, porque são tantas as distorções nesse assunto, que ele tem que ser dilatado para o campo da Filosofia, precisamente ao campo da Lógica. Sabemos que a escrita é o sinal da palavra e, por meio dela, o da ideia. Porquanto se faz mister, para o saneamento de todas as dúvidas, a busca pela ideia representativa da palavra campus. Pelas definições dos dicionários verifica-se que ideia geral para campus é lugar (território), locus ou topus (topos, grego). Em latim e no português, assim como em outras línguas, a ideia geral expressa pela palavra pode ser particularizada, para isso basta que a ela se juntem outros complementos que imprimam à palavra dada uma restrição ou uma qualidade distintiva. Ou seja, o adjunto adnominal restritivo, em português, ou o modo genitivo, em latim.
Assim, podemos dizer que “O pensamento de Cândido” carrega a ideia geral de “pensamento”, que é particularizada pelo complemento “de Cândido”, que não é Pedro nem João. Em latim, sensus Candidi (Candidi sensus) – sensus no nominativo e Candidi no genitivo.
Igualmente, a palavra campo guarda a ideia geral de lugar ou território: universitatis campus, campo da universidade; universitatis campi et universitatum campi, campos da universidade e campos das universidades.
Portanto:
Campus da universidade pode ser aportuguesado tranquilamente: Campo da universidade, ou Campos da universidade; ou pela qualidade, campo universitário ou campos universitários.
É o que aconteceu, no português, por exemplo, nos seguintes casos: Campo de Marte; campo de futebol, campo elétrico, campo magnético, campo de estudos, campo de batalha, campo de ação, campo de equitação, campo de força etc.
IV. Há séculos que a ideia campus está incorporada à língua portuguesa
A discussão terminaria no tópico anterior, caso não fossem as insistências de manuais de redações e acadêmicos, que tentam dar uma nova grafia para esses velhos vocábulos que, por séculos, figuram na língua portuguesa.
Vamos dar um pequeno salto neste estudo até alcançar Luiz Vaz de Camões (1524-1580), que no Século XVI forneceu ao idioma lusitano a sua mais sublime obra, Os Lusíadas, publicado em 1572. Examinem o uso da palavra campo nas seguintes oitavas:
“Da Lua os claros raios rutilavam
Pelas argênteas ondas Neptuninas,
As estrelas os Céus acompanhavam,
Qual campo revestido de boninas;
Os furiosos ventos repousavam
Pelas covas escuras peregrinas;
Porém da armada a gente vigiava,
Como por longo tempo costumava.” (Canto I, 58)
"Este, despois, em campo se apresenta,
Vencedor forte e intrépido, ao possante
Rei de Cambaia e a vista lhe amedrenta
Da fera multidão quadrupedante.
Não menos suas terras mal sustenta
O Hidalcão, do braço triunfante
Que castigando vai Dabul na costa;
Nem lhe escapou Pondá, no sertão posta.” (Canto X, 72).
Notem que, ao mesmo tempo em que campo passa para o domínio da literatura portuguesa e do vulgo letrado ou iletrado, o vocábulo latino de origem, ou seja campus, fica restrito aos círculos acadêmicos, determinando o locus, ou topus, da universidade, ou seja, sua localização física dentro de um espaço específico. Coimbra, a primeira universidade portuguesa (1290), ainda hoje dá o nome campus para o espaço físico ocupado pela totalidade de suas faculdades, que estão agrupadas em polos. Tal fato pode ser explicado, posto que, nos sete séculos de existência de Coimbra, em boa parte deles a língua acadêmica foi o latim, assim como em outras universidades da Europa. Para resumir, por séculos, o latim foi adotado pelas universidades como um sistema linguístico e não como uma língua disponível apenas para o fornecimento esporádico de palavras e expressões avulsas.
A Universidade Toulouse (1229) registra a vida no campus em sua página da internet no informativo “La vie du campus”. Outra universidade francesa, a de Paris (1170), igualmente se utiliza da palavra campus. Em Espanha, não é diferente, as tradicionais universidades de Salamanca (1218) e Valência (1499) se identificam a partir de um campus. Na Itália, a mais antiga universidade do mundo, Bolonha (1088), está identificada sob seu aspecto moderno, além-fronteiras, ao mostrar sua grandiosidade no uso de “multicampus”.
Ora, temos aí a tradição supranacional no uso da palavra latina campus e a prova de que o latim ainda influencia a linguagem acadêmica, mesmo depois de não contar mais com o status de língua oficial das universidades, dos acadêmicos, mestres e doutores, enfim, das ciências. Desconhecemos universidades tradicionais que não tenham ab ovo em seus brasões lemas em latim: Dominus Illuminatio Mea – O Senhor é a minha luz – Oxford University (Reino Unido). Veritas Christo et Ecclesiae – A verdade de Cristo e da Igreja – Harvard University (EUA, 1636). Hic et ubique terrarum – Aqui e em todo o mundo – Universidade de Paris (Universitas magistrorum et scholarium Parisiensis, nome oficial em latim). Scientia et Labor – Ciência e trabalho – Universidade Federal do Paraná (UFPR). Scientia Vinces –Vencerás pela Ciência – Universidade de São Paulo, USP (1934).
Aqui cabe uma observação importante no sentido de desfazer a hipótese de que o vocábulo campus deu um “passeio” pela língua inglesa. De acordo com essa hipótese, Campus teria frequentado as universidades do Reino Unido e da América do Norte e somente depois disso retornaria às línguas portuguesa, galega, francesa, espanhola e italiana para identificar o espaço físico ocupado por uma universidade. Pois bem, isso nos parece improvável ao se considerar uma linha do tempo.
Os falantes da língua inglesa incorporaram a palavra campus ao idioma da mesma forma pela qual ela foi incorporada pelos reinos da Europa continental (sobremodo pelos países que têm sua língua originada no latim, em especial os da Península Ibérica: Portugal e Espanha). O latim foi usado desde a fundação das primeiras universidades – e assim deveria ser – igualmente na Inglaterra e depois nos EUA como língua da ciência desenvolvida nessas instituições. Citemos apenas uma prova disso e será o suficiente: Principia Mathematica, obra máxima do físico, filósofo e matemático Isaac Newton, publicada no ano de 1687, no mais puro latim, quase seis séculos depois da fundação das primeiras universidades.
No Brasil, são tardias as faculdades e universidades: Século XIX, as faculdades de Medicina, Bahia e Rio de Janeiro, em 1808; e no Século XX, a partir da Universidade Federal do Paraná, 1912. Desde o começo, nosso ensino superior seguiu a tradição imposta pela cultura acadêmica europeia, sobremodo a portuguesa (no ensino de Medicina, Direito, Filosofia e Teologia, principalmente). Portanto, ao adotar o modelo europeu de ensino, o latim chega ao Brasil como língua natural das faculdades e universidades, com toda a carga sócio-cultural que isso significava e com a apropriação de uma cultura milenar. Portanto, ao se usar campus et campi, nada mais se faz do que dar continuidade à tradição acadêmica de novecentos anos, não constituindo esse uso uma agressão ao vernáculo nacional, mas deferência à primeira língua utilizada na era cristã para tirar o homem da ignorância.
Entretanto, em artigo, a professora Maria Helena de Moura Neves sustenta:
“Outro dado histórico importante, no caso dessa palavra, é que, embora sua forma seja latina, a fonte da importação foi o inglês, e não o latim, do mesmo modo que ocorreu, por exemplo, com a palavra bônus . O inglês, que não é uma língua latina, frequentemente vai buscar palavras no latim para denominação de coisa novas , e as vai buscar no nominativo, o caso em que a palavra aparece no dicionário, já que se trata de um empréstimo, e não de uma derivação histórica, que tem procedimentos naturalmente instituídos no próprio processo (por exemplo, o caso lexicogênico , para o italiano, foi o nominativo, e, para nós, foi o acusativo).”
Pelo exposto até agora, é evidente que não concordamos com a professora. Mas, para efeito de argumentação, vamos dar razão a essa hipótese de importação para a palavra “campus” do inglês. Verifiquem os seguintes pontos:
Primus: não houve mudança no significado da palavra campus, tanto no latim quanto no português, ela indica lugar, ou território e, no caso, da universidade, ipsis verbis.
Secundus: a palavra universidade é a que foi modificada. Ela é tão antiga quanto campus no latim, mas não com o significado que tem agora, o de universidade propriamente dita. Ela deriva do adjetivo universus, a, um (unus et vertere): todo, toda terra, o mundo inteiro. Universitas, atis é feminina e significa universidade, totalidade, o todo; companhia, corporação, comunidade, colégio, associação, sociedade. Universitas generus humanus – O gênero humano todo (Cícero).
Tertius: campus veio para o português como campo e significando lugar ou território; logo, com esse significado, usa-se sempre no aportuguesamento de campus o seu caso lexogênico, que é o acusativo.
Quartus: caso esta hipótese da “importação” do inglês estivesse correta, vejam que teríamos mais confusões. Pois, “câmpus de futebol” ou “câmpus eletromagnético” poderiam assim ser grafados em nosso idioma, já que essas expressões não existiam em Roma e nos foram apresentadas há menos de dois séculos e aí sim, a partir do inglês: field (pitch); electro-magnetic field. É notável que a situação se nos apresenta ainda mais complicada à medida que descobrimos outros exemplos: concentration camp, refugee camp –  “câmpus de concentração”; “câmpus de refugiados”, seriam expressões possíveis a partir da hipótese da importação de campus do inglês.
 Quintus: Definitivamente, campus da universidade se refere ao espaço ocupado por ela dentro de um território e não somente ao seu mobiliário ou a seus prédios, assim como campo de batalha refere-se ao território próprio para uma contenda e não especificamente ao armamento, soldados etc, que fazem parte do conjunto do teatro de operações bélicas.  Campo de futebol se refere ao território delimitado onde o jogo se pratica e não especificamente aos jogadores, torcedores, vestiários etc.
V. Das comparações impróprias
Novamente poderíamos encerrar este artigo no parágrafo anterior, mas vamos adiante. Respeitosamente, temos que discordar novamente da professora Maria Helena de Moura Neves, que sustenta ao apresentar a grafia “câmpus”:
“Segundo as regras oficiais de acentuação, o acento circunflexo é o sinal necessário para indicar que se trata de palavra paroxítona, já que as palavras portuguesas terminadas em -u (s) não-acentuadas são oxítonas. A partir daí, o plural é câmpus , igual ao singular (como bônus , íctus , vírus).”
A palavra virus pertence à segunda declinação latina e significava originalmente veneno, peçonha, suco, humor, essência, droga ou sêmen, no caso de animais. Hoje, vírus serve para identificar, na Biologia, pequenos agentes infecciosos compostos pelos ácidos nucleicos DNA ou RNA – por essa natureza, os cientistas ainda se debatem na classificação exata do “ente” vírus no Reino Animal ou fora dele. Na Informática, o vírus também é conhecido pelo seu lado “venenoso”, pois é um software malicioso feito para infectar computadores.  


Com efeito, vírus serve para definir tudo isso, mas jamais terá serventia como paradigma na conversão de campus para “câmpus”. Em latim, os muitos nomes terminados em “us” (são femininos na segunda declinação) têm três e somente três exceções como neutros e, ao mesmo tempo, defectivos: virus, pelagus (mar) e vulgus (vulgo). Então, encontramos alguns impeditivos para a comparação entre campus et virus na tentativa de justificar a suposta existência de “câmpus”.
Declinando a pala virus, i:
Caso
Singular
Plural
Nominativo
virus
Não existe
Vocativo
vire
Não existe
Genitivo
viri
Não existe
Dativo
viro
Não existe
Ablativo
viro
Não existe
Acusativo
virum
Não existe
Perguntas:
Prima: em latim, pode um nome (substantivo) neutro ser paradigma de um nome masculino, mesmo que da mesma declinação?
Secunda: o português tem palavras neutras?
Tertia: em latim, pode um nome (substantivo) defectivo, que só existe no singular, ser paradigma de um nome que se flexiona em número?
Quarta: pode um nome que não tem o acusativo plural ser comparado com um nome que possui os dois acusativos e que, portanto, conta com as condições para ser aportuguesado por meio desse caso e de forma direta?
Quinta: pode em lógica a parte ser maior do que o todo e no português e latim, a regra de exceção abranger a regra geral? 
Sexta: é o inglês o idioma que deu origem ao português?
VI. Da “autoridade” linguística dos manuais de redação e jornais
No Brasil, infelizmente, ainda se usa per fas et per nefas o método da autoridade em oposição ao método científico. Assim, ao vulgo, o grito discordante de um redator de jornal, numa tarde de vento, é bastante para uma nova regra dada à língua ou a quaisquer outras coisas. – Socorro! – Desse alarde em diante será apenas uma propagação de erros constantes. E aos entorpecidos pelos juízos ligeiros, tais regras irão fazer o mesmo efeito da luz para os que estão perdidos no talvegue das sombras ou trarão a mesma consequência da fé para os arruinados no umbroso vale da morte.
Mas não se desesperem, porque a Lógica nos socorre no velho silogismo: toda autoridade é humana e o homem é falível; logo, a autoridade, mesmo de grande valor intelectual e de moral inquestionável, pode falhar ao determinar uma verdade doutrinária, caso não se dobre ao método científico, que procede por demonstração e recorre ao processo da evidência intrínseca.
“O mestre o diz”, repetiam os discípulos de Pitágoras ao tentarem provar suas doutrinas e com isso estavam contentes. Grande foi Pitágoras, porém pequeno o método de seus discípulos. Método do “Amém” que, se continuado, conduziria certamente à estagnação da ciência, conferindo a autoridades humanas uma infalibilidade que elas não têm. “O apelo à autoridade só pode intervir, em resumo, para guiar a indagação ou confirmar asserções demonstradas segundo as exigências científicas. Vê-se, assim, que o argumento da autoridade é, conforme a expressão de Santo Tomás, ‘o mais fraco dos argumentos’.” [Jolivet, p. 143; 1969].
Dessa forma, “o mestre o diz”, são elaborados os manuais de redação. Numa penada, os redatores desses manuais simplesmente nos mandam esquecer a anciã língua latina e carpir nossa lusitana língua condenada à morte por maus-tratos diários nas páginas da soberba imprensa.
“Câmpus. Aportuguesando: o câmpus, os câmpus” (sic, Manual de Redação e Estilo do Estado de S. Paulo, p. 118). Assim, ex cathedra, sentado na cadeira de São Pedro, o autor do Manual dá seu veredito, sem mais explicações. É a divina palavra aos sectários da infalibilidade das cartilhas. Na edição disponível na internet, o manual da Folha de São Paulo é mais sintético ainda: “campus (lat.)”, ou seja, a Folha manda simplesmente grafar campus, sem distinção entre sigular, plural e explicação alguma ao que classifica de estrangeirismo.
O pior é que a coisa não termina por aí. A moda dos manuais de redação, movida por apelos de marketing, se espalha pelo Brasil e cada periódico resolve construir a própria gramática. Embora feitas para o consumo interno dos jornais, rádios, TV e internet – repórteres, redatores e editores – essas “gramáticas” tornam-se livros de cabeceira de estudantes que se contentam com o “prato feito” em prejuízo do estudo elaborado, com base na razão e não somente no falar ex professo.
VII – “Câmpus” em vez de campus, uma questão de marketing
Ab initio verificamos que as grafias “câmpus/campus” não se justificam no português e muito menos no latim. Mas, nisso tudo há um fato e pelo menos uma pergunta. Fato: as grafias campus et campi estão sendo alteradas inopinadamente por várias instituições de ensino brasileiras, às vezes por “câmpus” (doutrina do Jornal Estado de S. Paulo) e outras por “campus” (doutrina da Folha de S. Paulo).  Pergunta: qual é a razão de tanto esforço para se escrever fora dos padrões de nossa língua? Para responder vamos recorrer aos jornais, raízes do problema, ao insistirem nessas grafias equivocadas.
Os manuais de redação começam no Brasil como normas de estilo e gramática e, com o decorrer do tempo, passam a ser o lugar de apresentação da postura ética das empresas jornalísticas, bem como dos modos de fazer jornalismo. A preocupação dos jornais, ao produzirem seus manuais, não poderia deixar de ser outra: sua relação com o leitor. Há uma preocupação didática com a audiência. Ela está vinculada a uma das funções centrais do jornalismo: a pedagógica. (VIZEU; CORREIA, 2007).
Ora, se um manual de redação expressa a “preocupação” dos jornais com o leitor – e até onde se sabe é o leitor quem compra os jornais – haverá também “preocupações” do capitalista, o dono do jornal, que se estendem ao mercado e a imagem do produto neste mercado. Como há uma guerra constante dos jornais em busca de leitores-consumidores, o manual de redação, vendido como “apresentação de postura ética da empresa jornalística", passa também a ser um argumento de vendas, ou produto para o marketing empresarial.
Em outras palavras, na guerra de marketing, os jornais usam seus manuais de redação para convencer o leitor (leia-se consumidor) de que em suas páginas está o melhor produto, elaborado com os melhores ingredientes “inteligíveis” para quem tem uma educação mediana e precisa consumir informação de forma rápida, sem pensar muito no significado das palavras, em semânticas e sintaxes. Portanto, à medida que o apelo comercial se intensifica, ao se oferecer facilidades aos leitores, os jornais padronizam a linguagem de acordo com os parâmetros obtidos em pesquisas de mercado, traduzidos pelo “perfil do leitor”.
É outro fato que esse leitor não estudou latim, porque as escolas não ensinam mais latim. Logo, dentro da função central do jornalismo que é a “pedagógica”, usar termos latinos foge totalmente da “didática com a audiência”, pois essa didática pretensamente ética passa pela simplificação da linguagem, mesmo que para isso se tenha que abrir mão de algumas regras e padronizações da língua portuguesa. Em resumo, um texto fácil, mesmo que pobre e defeituoso, atrai leitores, melhora a audiência, e faz vender mais. Esse é o espírito, essa é a miséria.
VIII – Campus em vez de ager, uma questão ideológica
A propósito, já que estudamos o emprego da palavra campo, é bom que se diga que ela também sofre “pressões ideológicas” encampadas pelos jornais quando se refere às coisas próprias da agricultura ou da pecuária. Voltemos ao registro de campus no dicionário, especificamente do registro 4 em diante. Na época de Cícero, a palavra campus, por redução, era praticamente sinônima da expressão Campo de Marte e por extensão, para tudo que podia ser realizado naquele espaço, desde assembleias do povo, que definiam a carreira política de um jovem tribuno, ou até uma luta ou contenda. Hoje, nesses significados, é lógico que o verbete campus está fora de uso. Entretanto, esse processo reducionista apontado para Campo de Marte se repete em nossos dias com a tentativa dos meios de comunicação de transformar campos no sinônimo geral de agricultura, agropecuária e tudo que faz parte desse universo. Para tal, igualam campus ao nome ager, agri – campo, terreno cultivado, o campo e não a cidade – ou ao adjetivo agrarius, a, um – do campo, rural.
Desde o Brasil colônia e até nossos dias, caso se consultem os livros e periódicos correspondentes a este período, verifica-se que a palavra campo sempre guardou seu significado geral de lugar, espaço ou território. Mas ao mesmo tempo, e com intensidade a partir da industrialização e consequente urbanização, ou seja, a partir da República Burguesa – na interpretação de Caio Prado Júnior – as correntes de transmissão do pensamento da nova elite social brasileira passaram a usar e abusar da palavra campo como qualitativa das coisas e pessoas que compõem o espaço agrícola, na tentativa de explicar este Brasil, que assumia suas feições urbanas, em nova realidade, inclusive para aqueles brasileiros inicialmente radicados em ambiente rural.  A revolução burguesa do final do século XIX e início do século XX, que se aproveitava de uma mão-de-obra “vadia” do final do regime servil, também iniciaria assim o processo de redefinição de significados de palavras para explicar o novo statu quo e para mascarar problemas sociais existentes.
Nesse sentido, na década de 1970 o matiz ideológico do “homem do campo” foi cantado e massificado pela dupla sertaneja Dom & Ravel, estigmatizada por suposto apoio à Ditadura Militar:
“Obrigado ao homem do campo
O boiadeiro e o lavrador
O patrão que dirige a fazenda
O irmão que dirige o trator (...)”
É evidente que na música, esse “homem do campo” não tem um perfil específico ou particular, podendo significar latifundiário, pecuarista, pequeno produtor, meeiro, colono, ou trabalhador volante (boia-fria). E de maneira similar, campo também abrange conceito de território rural, porém sem quantificá-lo, podendo ser uma grande fazenda ou latifúndio, um pequeno sítio, uma chácara, ou qualquer ambiente fora das franjas urbanas. Em consequência, produtos do campo surgem como resultado da produção agroindustrial que não questiona o método de produção em todas as suas vertentes: econômica, de saúde, ou de proteção ao meio ambiente:
“Obrigado ao homem do campo
Pelo leite o café e o pão
Deus abençoe os frascos que fazem
O suado cultivo do chão
Obrigado ao homem do campo
Pela carne, o arroz e feijão
Os legumes, verduras e frutas
E as ervas do nosso sertão
Obrigado ao homem do campo
Pela madeira da construção
Pelo cocho de fios das roupas
Que agasalham a nossa nação
Pelo cocho de fios das roupas
Que agasalham a nossa nação (...)”
Essa artificialidade da palavra “campo”, hoje reproduzida pelos meios de comunicação para descrever a realidade do espaço agrícola moderno, pode ser verificada com certa facilidade, pois o campo como ideia das elites urbanas não é o mesmo do ideário de quem vive no ambiente rural. No Brasil, ninguém que sobrevive da terra se identifica como “homem do campo” quando perguntado sobre a ocupação ou profissão que exerce. As respostas necessariamente cairão em produtor agrícola, agricultor, trabalhador rural, patrão, pecuarista, boiadeiro, sitiante, peão, tratorista, braçal, volante, boia-fria etc. De igual maneira, ninguém diz que veio ou vai para o campo. Aqui no Brasil, o bom caboclo diz que veio da roça, da fazenda, da lida, do sítio, dos cafundós, donde Judas perdeu as botas, mas jamais diz que veio do campo.
Observem que, em contrapartida, expressões ligadas aos movimentos sociais e que identificam os trabalhadores como camponês, campesino, campesinato, estão fora do vocabulário da imprensa brasileira.
IX Conclusão
Este artigo se fez mais longo do que o planejado. Ao desenvolvê-lo, percebemos que certos aspectos precisavam ser detalhados para a melhor compreensão dos tópicos. Há de se crer que o escopo principal foi atingido – a demonstração das incongruências dos argumentos de quem defende uma escrita diferente em português para as palavras latinas campus et campi.
Neste trabalho, também consideramos demonstrado que a grafia “câmpus” não se justifica em nossa língua e que campus também não é uma palavra do nosso vernáculo em contraste com o seu equivalente campo, que é o aportuguesamento indicado e correto.
Por outro lado, verificamos que há aspectos históricos que não podem ser desprezados no uso dessa palavra latina para identificar o espaço ocupado pelos prédios e mobiliários das universidades e faculdades. Historicamente, não há equívocos em se usar campus et campi, como não há argumentos históricos convincentes para tais mudanças.
Tecnicamente, nesse estudo não se descobriu um apelo popular, ou da literatura, para a mudança proposta. Os que propõem as novas grafias são os manuais de redação de jornais, sem justificativas que se sustentem na construção da língua. Infelizmente, parte da comunidade acadêmica já encampou a proposta e defende, não sem equívocos, as novas grafias.
Por fim, ao se verificar como o caso é tratado em outros países, gostaríamos de destacar algumas soluções inteligentes para o problema – se é que ele existe no caso brasileiro. A Universidade de Coimbra livrou-se de ter que declinar a palavra latina campus simplesmente adotando esse nome para a totalidade de suas instalações e dando o nome de polo para as subdivisões. Então, o campus da Universidade de Coimbra tem vários polos. Ou ainda, a solução encontrada pela Universidade de Bolonha, ao criar a expressão multicampus, que nada mais é do que um conjunto de campi.  Nessas soluções, há a inteligência de não se espancar as línguas nativas e muito menos o latim.
José Fernando Nandé: é graduado em Comunicação Social – Jornalismo – UFPR, pós-graduado em Economia do Trabalho (UFPR). Tradutor, pesquisador e autor de vários livros.
 Bibliografia
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CEGALA, DOMIGOS PASCHOAL. Novíssima gramática da língua portuguesa. São Paulo: Cia Editora Nacional, 2007.
CHARLESWORTH, Martin Percival. Trade-routes and commerce of the Roman Empire. 1970: Cooper Squadre Publishers.
FURLAN, Oswaldo Antônio. Língua e literatura latina e sua derivação portuguesa. Petrópolis: Vozes, 2006.
JOLIVET, RÉGIS. Tratado de Filosofia I – Lógica Cosmologia. 1969, Agir, Rio de Janeiro.
LODEIRO, José. Traduções dos textos latinos. Porto Alegre: Editora Globo, 1960.
MARQUES, Amadeu. Dicionário Inglês-Português, Português-Inglês. São Paulo: Ática, 2007.
MENDES DE ALMEIDA, Napoleão. Gramática Latina. São Paulo, Saraiva, 2000.
MOURA NEVES, Maria Helena de. Em torno das grafias CAMPUS , CAMPUS E CÂMPUS. Site da Unesp:  http://unesp.br/aci/sobre_campus_campi.php (29/03/2012, 15h35).                 
PRADO JÚNIOR, Caio. História Econômica do Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1972.
VIZEU, A. &; CORREIA, J. A construção do real no telejornalismo: do lugar de segurança ao lugar de referência. In: VIZEU, A. A sociedade do telejornalismo. Petrópolis: Vozes, 2007.
-----------. Manual de redação e estilo de O Estado de S. Paulo. 3.ed. São Paulo: O Estado de S. Paulo, 1997.
Dicionários
-----------. Dictionnaire latin-français. Paris:  Hachette et Cie, 1868.
-----------. Dicionário Francês-Português e Português-Francês. Rio de Janeiro, MEC, 1965.
-----------. Dicionário Latim-Português e Português-Latim. Porto, Porto Editora, 2006.
-----------. Dicionário Latino-Português. Rio de Janeiro, MEC, 1962.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Análise do José Pedriali

Fruet, o império e a aldeia


Gustavo Fruet, o deputado que se projetou nacionalmente como a encarnação da ética na vida pública, imagem que projetou devido à sua brilhante participação na CPI do Mensalão, cometeu três erros que abalaram sua carreira e comprometem seu futuro.
O primeiro foi a decisão de disputar o Senado. Tinha a reeleição garantida para a Câmara, preferiu voar mais alto, fez uma votação estrondosa - mais de dois milhões de votos -, mas insuficiente para se eleger.
Ficou sem mandato, optou por disputar a Prefeitura de Curitiba - a herança genética o capacita para isso (seu pai, Maurício, foi excelente prefeito e político  exemplar) - e cometeu o segundo erro. Repetiu o procedimento de quando era filiado ao PMDB e o partido fechou-lhe as portas para esse desejo, e trocou o PSDB, que não deu guarida a seu projeto, pelo PDT.
O terceiro, e o mais grave dos erros, veio em seguida. Aliou-se ao PT. Pois foi justamente sua oposição ao PT, que personifica os erros de seus dirigentes - o mais exponencial deles foi o mensalão - que o projetou nacionalmente.
A pesquisa Datafolha de sábado mostra que a dianteira que Fruet mantinha em relação aos demais pretendentes se esvaiu. Ratinho Júnior (com leve vantagem), Luciano Ducci (prefeito) e ele estão tecnicamente empatados na liderança.
"Resultado de pesquisas não é motivo nem para euforia e nem para desânimo. Confiamos no poder da nossa militância", reagiu Fruet em nota oficial. As entrelinhas não escondem sua decepção e as palavras denunciam novo engano: a militância petista prefere Ratinho (38%) a ele (21%).
Fruet trocou o império  - o Brasil - pela aldeia, sua cidade natal, Curitiba, e, para alcançar seu objetivo, vendeu a alma ao diabo - que jamais cumpre o que promete (veja o caso Osmar Dias).
Poderá perder a aldeia hoje, ganhá-la amanhã, voltar a ter projeção nacional depois de amanhã. Mas a alma, esta não recupera mais.


Acesse o blog do Pedriali.

Os atores se preparam

A grande tarefa dos marqueteiros nesta eleição: amestrar seus candidatos para os programs de TV. Em Curitiba, apenas dois não precisam das aulinhas, Ratinho Jr, que é do ramo e Rafael Greca, que é um comunicador e orador nato. Tarefa inglória, como ensinar a ser simpático, falar bem e comunicar ideias em meia-dúzia de lições?

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Curitiba recebe hoje Lota Moncada!



Com o Recital "Palavras Palabras" a premiada atriz chilena Lota Moncada brinda Curitiba, hoje, 19 de julho de 2012, dentro da programação cultural do III CEIPAL, Congresso de Cultura e Educação para Integração da América Latina.  O espetáculo acontecerá às 20 horas no Mini Guaíra -  Glauco Flores de Sá Brito - e conta com a participação do violonista Gegê Félix, a convite da cantora e compositora, Rosana Barroso, coordenadora das atividades culturais do evento.
Radicada atualmente em Porto Alegre, a brilhante artista latino-americana Lota Moncada, viveu na capital paranaense nas décadas de 60 e 70, onde foi licenciada em Filosofia pela Universidade Federal do Paraná. Atriz profissional desde 1965, atuou muitos anos no Teatro Paranaense recebendo diversos prêmios, inclusive  quatro Troféus Gralha Azul como Melhor Atriz, além do Prêmio Governador do Estado do Paraná, como Melhor Autora em 1984. Participou como atriz ou diretora de mais de 40 peças até 2007. No cinema, participa em três filmes, entre o quais o importante Lance Maior, filme brasileiro de 1968, do gênero drama, dirigido por Sylvio Back, com grande elenco. 
Em 2010 e 2011 participa de antologias onde alguns de seus poemas são publicados. Em dezembro de 2010 foi uma das premiadas no Concurso Internacional de Poesía de Latin Heritage Foundation, nos EUA, com o poema "Desconsuelo". 



quarta-feira, 18 de julho de 2012

Livro do marqueteiro Hiram Pessoa de Melo analisa erros de campanhas eleitorais


“Campanhas eleitorais – ganha mais quem erra menos”, que será lançado nesta quarta-feira (18), às 19h30, nas Livrarias Curitiba do ParkshoppingBarigui.
Todo candidato tem seu dia de cão. Aquele momento em que um simples erro na condução da campanha pode determinar uma grande queda nas pesquisas ou até mesmo significar a derrota nas urnas. E quais são os erros que um candidato não pode cometer numa campanha? O marqueteiro Hiram Pessoa de Melo enumera pelo menos 99 deles no seu livro “Campanhas eleitorais – ganha mais quem erra menos”, que será lançado nesta quarta-feira (18), às 19h30, nas Livrarias Curitiba do ParkshoppingBarigui.
Balizado por suas experiências em grandes embates políticos no Brasil e exterior, Hiram de Melo sustenta que dentre os erros de campanha, verifica-se que o mais decisivo é decorrente do temperamento do candidato. “O fator temperamento, geralmente estúpido, está na raiz dos erros, das omissões e negligências que, materializados em vacilos, deslizes, gestos intempestivos, surtos de autismo e barbeiragens, liquidam uma campanha. Na maioria das vezes, o candidato se torna o maior inimigo eleitoral dele mesmo”, explica Hiram. 
Esses erros são ilustrados no livro por análises passo a passo em eleições recentes nos EUA e Argentina, mas também são expostos em casos brasileiros, especialmente no Paraná, como a eleição para governador de 2006. Sob o ponto de vista didático, a linguagem utilizada por Hiram é direta, com explicações dos conceitos e dos termos utilizados. “A ideia é mostrar para os candidatos, assessores de campanha, estudantes, pessoas interessadas em política o elefante todo e não somente as partes do animal, baseado em algumas de minhas experiências profissionais vivenciadas direta ou indiretamente”, diz o marqueteiro.
Além de se ocupar dos erros de campanha, Hiram também faz uma análise da introdução da internet nas campanhas eleitorais e dedica algumas páginas à rede de computadores utilizada de forma inovadora por Howard Dean e Barak Obama no início dos anos 2000. Outro ponto que merece atenção refere-se aos debates televisivos, em que erros costumam ser fatais.
SERVIÇO
Lançamento do livro “Campanhas eleitorais – ganha mais quem erra menos”
Dia 18 de julho, quarta-feira
Horário: 19h30
Local: Livrarias Curitiba do ParkshoppingBarigui.
HIRAM PESSOA DE MELO – Cofundador da Associação Latino-Americana de Consultores Políticos (ALACOP) e do Centro Interamericano de Gerência Política. Marqueteiro e conferencista internacional, ele atuou mais de 20 campanhas políticas presidenciais, governamentais, municipais e legislativas, em Portugal, México, Venezuela, Argentina, Paraguai e Brasil, com um ranking impressionante de 70% de vitórias. Dentre muitos, no rol de assessorados por Hiram estão os brasileiros Ulisses Guimarães, Tancredo Neves; os argentinos Fernando De La Rúa, Domingo Cavallo e o português João Manuel Durão Barrozo.  Como diretor de criação produziu mais de 2000 spots políticos em 28 anos de carreira.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Em Arapongas, Pugliesi tem apoio de 11 partidos


O deputado Waldyr Pugliesi, presidente estadual do PMDB, vai liderar uma frente reunindo 11 partidos em seu projeto para retornar a prefeitura de Arapongas, no Norte do Paraná. Além do PMDB, Pugliesi uniram-se sob a mesma proposta PSL, PSB, PMN, PRP, PTN, PSDB, DEM, PTC, PSDC e PTB. "Construímos uma grande aliança que vai resultar em obras e políticas públicas fundamentais para melhorar a qualidade de vida da nossa população”, destacou Pugliesi.

O presidente do PMDB do Paraná, que já foi três vezes prefeito de Arapongas, terá como vice Guto Grassano, descendente de tradicional família araponguense. A convenção que indicou Pugliesi contou com participação de lideranças políticas e comunitárias do cenário estadual e nacional, como o assessor especial da Vice-Presidência da República, Rodrigo Rocha Loures.

Também marcaram presença o deputado federal Alex Canziani, presidente estadual do PTB, o prefeito de Sabáudia, Almir Batista, entre outros. Na convenção, os discursos das lideranças empolgaram o público deixando uma mensagem de união e de que todos devem trabalhar juntos para o crescimento social e econômico de Arapongas.

Guto Grassano, aprovado como vice de Pugliesi, destacou o trabalho de articulação do governador Beto Richa e do presidente estadual do PSDB, Valdir Rossoni. “Todos se envolveram neste projeto para o futuro de Arapongas”, disse.

“O Waldyr Pugliesi tem boa experiência administrativa. Ajudou muito o desenvolvimento de Arapongas que hoje é a 12ª economia do Estado”, frisou Grassano. Segundo ele, a cidade só chegou neste estágio graças aos governos de Pugliesi e as administrações de Bisca e da famílias Grassano e Yokomizo. Todas essas famílias estão representadas nesta ampla frente partidária.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Iguaçu

Não sei se é lenda, se é verdade
Nunca lá estive se não fosse por pensamento
Mas dizem que o Nilo vai ao mar
 Em sete desembocaduras

Conheço apenas o rio de minha aldeia
Um rio triste, quase morto em seu nascimento,
E que não dá no mar
O meu rio é apenas suicídio em sua foz

Verdade, meu rio acaba-se em quedas
Começa feio e termina bonito
Um grande final para quem só faz carregar lágrimas
Da gente que nele caga
Da gente que nele vê um grande córrego de lixo
Da gente que nele faz a piscina dos esgotos

Meu rio alcança o grande Paraná
Como pálido defunto perfumado
E dá urros ao quedar-se verdadeiramente morto
Diante de pasmados turistas
Para assim maravilhar
Este mundo que já se veste de trapos.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

O bozo curitibano e o bóson de Higgs

Enquanto o curitibano identificam o bozo prefeito, os cientistas descobrem o bóson de Higgs, a partícula de Deus. A descoberta foi anunciada ontem pelo Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (CERN). O bóson de Higgs é considerado pelos físicos a chave para entender a estrutura fundamental da matéria.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

CALENDÁRIO ELEITORAL 2012


Confira o cronograma da eleição deste ano:
• Julho
5 – Último dia para partidos e coligações apresentarem à Justiça Eleitoral o registro de candidatos.
6 – A propaganda eleitoral passa a estar liberada.
7 – Fica proibido aos agentes públicos contratar ou exonerar funcionários e realizar ou comparecer a inaugurações de obras públicas.
13 – Prazo para os partidos constituírem seus comitês financeiros.
• Agosto
6 – Data em que partidos, coligações e candidatos passam a ser obrigados a divulgar relatório financeiro da campanha.
12 – Sorteio da ordem de veiculação da propaganda eleitoral.
21 – Início do horário de propaganda eleitoral gratuita.
23 – Encerramento do prazo para julgamento envolvendo registro de candidatos.
• Outubro
4 – Último dia para propaganda eleitoral, realização de comícios e debates.
5 – Fim da liberação de propaganda eleitoral paga na imprensa.
6 – Até as 22 horas, é permitido fazer propaganda eleitoral por meio de alto-falantes, distribuir material gráfico e promover carreatas.
7 – Realização do 1º turno, entre 8 e 17 horas.
8 – Passado o prazo de 24 horas do encerramento da votação, é possível fazer propaganda eleitoral para o 2º turno.
13 – Reinício da propaganda eleitoral no rádio e na televisão onde houver 2º turno.
26 – Encerramento do horário de propaganda eleitoral.
28 – Realização do 2º turno, entre 8 e 17 horas.

Ex-prefeito "Toco" concorre em Campina Grande


Toco e seu vice, Wilson Waller

O ex-prefeito Elerian do Rocio Zanetti, o Toco, como é popularmente conhecido, foi o candidato escolhido pela convenção que reuniu dez partidos e centenas de militantes, no sábado (30), em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. Toco, do PSD, terá como candidato a vice-prefeito o vereador e professor Wilson Waller, do PR, e o apoio de outros oito partidos: PSC, PDT, PV, DEM, PtdoB, PcdoB, PRD e PSL. A chapa de vereadores conta com 54 candidatos nestas eleições.

A convenção reuniu as principais lideranças políticas do município na Câmara de Vereadores e foi marcada por discursos destacando a importância de união para vencer as eleições e retomar os princípios de uma administração pública voltada para os interesses do povo, transparente, ética e honesta no município.

“Não é à toa que a nossa coligação foi chamada de Ficha Limpa. Não poderíamos nos omitir diante dos absurdos que estamos vendo no comando da prefeitura de Campina Grande do Sul. Precisamos reestabelecer a verdade e dar ao povo de Campina uma administração honesta e comprometida com o bem-estar de toda a população”, afirmou Toco, no discurso para uma Câmara lotada de convencionais e populares no sábado.

Toco, 61 anos, foi prefeito pela primeira vez entre 1977 e 1982, entre 1989 e 1992 e depois entre 1997 e 2004. Os principais equipamentos públicos do município foram construídos durante a administração Toco, período que Campina Grande do Sul viveu grande desenvolvimento.

Além de ter sido prefeito por quatro vezes, Toco também já ocupou importantes cargos na administração estadual. Foi chefe de gabinete do IPE (Instituto de Previdência do Estado) no governo José Richa; diretor da Comec (Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba), no governo Alvaro Dias; diretor Presidente da Fundepar, no governo Mário Pereira e secretário especial de governo, no governo Roberto Requião. Toco é professor com formação em Pedagogia, licenciatura plena.

O candidato a vice Wilson Waller, 45 anos, também é professor da rede pública estadual e leciona a disciplina de Geografia em Campina Grande do Sul. Foi eleito vereador pela primeira vez em 2004 e reeleito em 2008, presidiu a Câmara no biênio 2009/10. Wilson trabalha no Colégio Estadual Ivan Ferreira do Amaral Filho e foi presidente da Comissão que organiza os eventos da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, elevada à categoria de Santuário Nossa Senhora de Fátima.

Beti Pavin é confirmada candidata em Colombo

 
O PSDB confirmou na tarde deste sábado (30) o nome de Beti Pavin para concorrer nas eleições do município de Colombo, Região Metropolitana de Curitiba. Beti Pavin, que já foi prefeita da cidade e deputada estadual, terá como vice Ademir Goulart (PMDB), que é empresário. “Embora nossos adversários apelem para boatos e mentiras, a nossa candidatura será vitoriosa, porque é resultado da vontade do povo de Colombo que deseja ser tratado com respeito”, afirmou a candidata.
A convenção do PSDB de Colombo aconteceu na Associação Banestado e contou com a participação de vários deputados estaduais e centenas de pessoas. De acordo com o deputado estadual Mauro Moraes (PSDB), que esteve representando o governador Beto Richa (PSDB), a volta de Beti à prefeitura representa a retomada de um projeto de transformação de Colombo que está abandonada pela atual administração. “Beti é a nossa candidata e vai ganhar as eleições”, disse Moraes.
Beti Pavin entrou no salão da convenção acompanhada de muitas crianças e, em tom emocionado, disse seus adversários apelaram para mentiras para confundir ao espalharem boatos de que ela não poderia buscar uma candidatura. “Queremos uma Colombo transparente, com respeito pelo povo e não queremos a Colombo da perseguição e da bandidagem”, discursou a candidata.
O deputado Francisco Bührer (PSDB) disse que seu partido tem a certeza da vitória de Beti e que ela contará com o apoio do governo do Estado durante a sua gestão. “Colombo está muito feliz porque fez a melhor escolha ao trazer a Beti de volta”, disse a deputada estadual cantora Mara Lima (PSDB).
A chapa de Beti Pavin conta os seguintes partidos: PSDC, PMDB,PSL, PSDB, PRB, PTB, PRTB, PCL, PCB, E PSB.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Pecuarista & Limpinho

Zorro - Então, o Ducci promete acabar com a miséria!
Tonto - Miséria de quem cara-pálida?
 Zorro - Dessa gente tratada como se estivesse num curral eleitoral!
Tonto - Certo, é isso que se espera de um pecuarista, cara-pálida, cuidar da boiada!

Sem remédio


quarta-feira, 27 de junho de 2012

Pobre moço

E o Gilmar Piola, o chefe das comportas publicitárias de Itaipu, acreditava mesmo que seria escolhido candidato a prefeito de Foz do Iguaçu.