Mostrando postagens com marcador poeta paranaense. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poeta paranaense. Mostrar todas as postagens
domingo, 21 de novembro de 2010
Paixões curitibanas
Mandei-te tantas flores,
Tantas rosas vermelhas
E nenhuma resposta
(Depois descobri que o florista errou o endereço!)
Nas vezes em que conversamos
Quantos segredos não revelados
Quantos enganos em nós escondidos
Num ramalhete, num bilhete
Em rosas puramente vermelhas
Que te mandei junto com o meu coração atleticano
(Como poderia adivinhar-te muda e coxa-branca?)
Dediquei a ti tantos poemas
Poemas em pétalas de rosa
Rosas vermelhas, vermelhas rosas
E nenhuma resposta.
(Como poderia saber-te daltônica e especialista em prosa?)
Definitivamente desisti.
E com os olhos vermelhos,
Vermelhos olhos,
De tantas lágrimas
Dedicadas a ti,
Fiz a felicidade da oftalmologista.
* * *Para quem não conhece Curitiba: aqui, algumas ruas chegam a ter mais cinco nomes, fora os nomes polacos impronunciáveis e os nomes semelhantes, do tipo Marechal Floriano e Marechal Deodoro. A numeração das casas é uma desgraça. É mole, mole se perder na cidade.
Atléticano(a) é o torcedor do Clube Atlético Paranaense.
Coxa-branca é o torcedor do Coritiba F. C., principal adversário do Atlético.
Os homens de Curitiba, embora com a fama de sisudos e calados, têm o salutar hábito de mandar flores para suas mulheres e namoradas.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Os anjos da procissão

Na Semana Santa,
Em dia de procissão,
Pendurei-me numa árvore
E, pasmado, acompanhei,
Com os olhos arregalados,
Aquela gente que se arrastava
Curvada sobre os círios,
Pendida por tanto pecado.
Menino demônio,
Invejava as asas tortas
De querubins d'outros meninos,
Que seguiam como frades a procissão,
Ainda com os corações limpinhos
Sem a precisão da faxina do padre.
Inveja tola daqueles anjinhos
De asas feitas de brancas penas de ganso
- ou das galinhas mortas no domingo -
Amarradas com barbante,
Em armaduras de arame,
Pregadas em pobre e falso linho.
Foi quando passou o cantadador
Que em dor a procissão seguia.
Lembrei que ele me havia dito,
Em nossa operária feira,
Que poeta pode voar sempre,
A semana inteira, a vida toda,
Em dia bento, na noite do tempo,
Em dias de pagãs folias festeiras.
Poeta pode falar do Cristo morto,
Do Menino em Belém nascido
E em Nazaré criado e havido;
Chorar na Hora do Angelus, nas Ave-Marias,
Cantar a perene tristeza dos homens
E também as suas efêmeras alegrias.
Para isso seria o bastante
Montar nas asas da poesia
E seguir a procissão dos danados,
Dessa gente que quer a remissão
Dos seus seguidos terríveis pecados.
Perdão para essas pesadas cruzes
Arrastadas em molesta paixão
Pelo mesmo calcário da Via Crúcis
Que levou Jesus, o Cristo, a ser crucificado.
Cristo, o filho e cordeiro de Deus imolado,
Que por nós derramou o seu sangue inocente
Nas pedras do Calvário em que foi fincado.
(Escorreguei da árvore e tive uma queda suave como folha em tarde de outono.
Por certo que, desde aquele tempo, o verso já me amparava na leveza do vento).
(JFN)
Pendurei-me numa árvore
E, pasmado, acompanhei,
Com os olhos arregalados,
Aquela gente que se arrastava
Curvada sobre os círios,
Pendida por tanto pecado.
Menino demônio,
Invejava as asas tortas
De querubins d'outros meninos,
Que seguiam como frades a procissão,
Ainda com os corações limpinhos
Sem a precisão da faxina do padre.
Inveja tola daqueles anjinhos
De asas feitas de brancas penas de ganso
- ou das galinhas mortas no domingo -
Amarradas com barbante,
Em armaduras de arame,
Pregadas em pobre e falso linho.
Foi quando passou o cantadador
Que em dor a procissão seguia.
Lembrei que ele me havia dito,
Em nossa operária feira,
Que poeta pode voar sempre,
A semana inteira, a vida toda,
Em dia bento, na noite do tempo,
Em dias de pagãs folias festeiras.
Poeta pode falar do Cristo morto,
Do Menino em Belém nascido
E em Nazaré criado e havido;
Chorar na Hora do Angelus, nas Ave-Marias,
Cantar a perene tristeza dos homens
E também as suas efêmeras alegrias.
Para isso seria o bastante
Montar nas asas da poesia
E seguir a procissão dos danados,
Dessa gente que quer a remissão
Dos seus seguidos terríveis pecados.
Perdão para essas pesadas cruzes
Arrastadas em molesta paixão
Pelo mesmo calcário da Via Crúcis
Que levou Jesus, o Cristo, a ser crucificado.
Cristo, o filho e cordeiro de Deus imolado,
Que por nós derramou o seu sangue inocente
Nas pedras do Calvário em que foi fincado.
(Escorreguei da árvore e tive uma queda suave como folha em tarde de outono.
Por certo que, desde aquele tempo, o verso já me amparava na leveza do vento).
(JFN)
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Todos os e-mails de amor...
Escrevo-te e-mails instântaneos
Tão ridículos quanto as cartas de amor
Do tempo de Fernando Pessoa.
(Escrever coisas de amor
Será sempre esdrúxulo a qualquer tempo)
Criatura, hoje não há mais carteiro.
Meus e-mails trafegam pelo ciberespaço
E, miseravelmente chegam, talvez,
Ao imaculado juízo de teus olhos
Não mais em mal traçadas linhas;
Sem perfumes, sem pingos de lágrimas.
São elétrons ridículos a falar de amor
E que temem a desproposital tecla delete
Ou o simples esquecimento na tua Caixa Postal.
Leia mais...
Tão ridículos quanto as cartas de amor
Do tempo de Fernando Pessoa.
(Escrever coisas de amor
Será sempre esdrúxulo a qualquer tempo)
Criatura, hoje não há mais carteiro.
Meus e-mails trafegam pelo ciberespaço
E, miseravelmente chegam, talvez,
Ao imaculado juízo de teus olhos
Não mais em mal traçadas linhas;
Sem perfumes, sem pingos de lágrimas.
São elétrons ridículos a falar de amor
E que temem a desproposital tecla delete
Ou o simples esquecimento na tua Caixa Postal.
Leia mais...
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Pílula diária
Indicação
Como coadjuvante no tratamento:
Das mialgias,
Das artralgias,
Enfim, todalgia
Efeitos comprovados em almas cansadas.
Modo de usar
Em aplicações locais, várias vezes ao dia,
Eternamente, infinitamente.
Precauções
Pouco eficaz em sujeitos que cultivam rotinas sem sentido e amorfas.
Causa taquicardia em casos avançados de paixão.
Fórmula
Para cada minuto do dia, 100% viver.
Como coadjuvante no tratamento:
Das mialgias,
Das artralgias,
Enfim, todalgia
Efeitos comprovados em almas cansadas.
Modo de usar
Em aplicações locais, várias vezes ao dia,
Eternamente, infinitamente.
Precauções
Pouco eficaz em sujeitos que cultivam rotinas sem sentido e amorfas.
Causa taquicardia em casos avançados de paixão.
Fórmula
Para cada minuto do dia, 100% viver.
Assinar:
Postagens (Atom)
