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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

FELIZ MINUTO NOVO!!!


Mudam-se os calendários,
Trocam-se as folhinhas,
Que nos marcam os dias
Vividos entre intervalos
Decisivos a nos definir.

E, tolos, esperamos grandes
Mudanças determinadas
Pelos astros, pelos deuses
E ignoramos as velhas leis
Que regem os anos siderais.

Os ciclos são invenções humanas,
Somente nós podemos contá-los
Na busca do que está por vir.
E a veterana Terra gira para mim,
Também para ti, a nos gastar.

E gastos pelo velho ano,
Esperamos um novo ano,
Menos tirano a nos matar.
Um ano bom, um ano feliz,
Próspero em nossas preces.

Forjamos mil esperanças
Justificadas em crendices,
Porque somos a revolta,
A inconsciente revolta
Contra nosso próprio fim.

E essa revolta nos consome
Porque esperamos o grande,
A grandeza da eternidade.
E esquecemos que a grandeza
Está nas eternidades pequenas.

Não sejamos tolos! Acordem!
Comemoremos o minuto de agora
Apenas, pois essa é a escala
Que nos cabe neste mundo
Medido em milhões de séculos.

Olhem à volta. Estão vendo?
A felicidade está no arrastar
Do caracol. Na rosa que se abre,
No botão que promete outra rosa,
No menino que brinca com a mãe.

Olhem ao redor próximo e sintam
Que a verdade está neste minuto,
Que a esperança está neste minuto...
No anterior já não somos mais,
Assim como não somos no seguinte.

Feliz Minuto Novo, eis o que vale!
Um ano inteiro é apenas promessa
Que pode enganar nossas almas.
O que vale mesmo é este minuto
Em que podemos amar e sentir a vida!

(JFN)

terça-feira, 13 de setembro de 2011

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Os palhaços que nos governam


As máscaras dos palhaços
Derretem-se em seus rostos...
Muita tinta e muito verniz,
Que cobriam a mediocridade
A desgovernar esta terra,
Transformaram-se em lágrimas
Da mãe que chora o filho morto.

O Paraná é violento,
Curitiba é violenta
E os sonhos do nosso povo
Aguardam missa de sétimo dia.

E como se chegou à carnificina
Dos finais de semana
E de todos os dias,
Em nossas ruas, em nossas praças,
Em nossas esquinas?

Ora, simples, simples assim,
Armou-se o circo da propaganda
E juntaram-se aos palhaços,
Que tiravam do povo
E davam aos ilusionistas,
Os magos da trapaça.

E desta maneira, no roubo,
No escárnio, na falta de vergonha,
Fizeram a propaganda
Do melhor estado do Brasil,
Da melhor cidade do mundo.

A mãe acreditou na ilusão
Por mais de quarenta anos,
Mas desabou na realidade
Ao ver o filho assassinado
Por um tênis, por um relógio,
Numa briga de trânsito, num racha,
Ou gratuitamente apenas.

Hoje chora a mãe,
Chora Curitiba,
Chora o Paraná,
Chora nosso povo,
Enquanto os ilusionistas
Retocam a pintura
Novamente, eternamente,
Dos palhaços velhacos.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Sandra da Luz foi com as águas

Toda morte é estúpida,
Embora algumas se apresentem
Em elevado grau de estupidez.

Ontem choveu muito
E Sandra da Luz morreu afogada
No meio de uma enxurrada.

Seus onze anos de vida
Foram insuficientes para lhe darem
Forças contra a estúpida morte.

Saía da escola e foi arrastada pelas águas,
Sua amiga se salvou, ela seguiu para apagar-se
E seu corpo ficou horas esperando resgate.

Há responsáveis, estúpidos irresponsáveis?
Sempre há, mas nunca alcançados pela Justiça.
Tudo ficará por conta do acaso e fatalidade.

São os maiores assassinos da humanidade,
Acaso e fatalidade, os entes do além
Que estão por aí para isso mesmo,
Matar impunemente, estupidamente
E dar conforto aos verdadeiros assassinos.

Hoje uma menina, amanhã duas,
Depois uma família inteira, mil...
Como os números numa estatística
Servem bem aos estúpidos burocratas
Que ignoram a vida!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Aos nossos leitores

Feliz Minuto Novo!


Mudam-se os calendários,
Trocam-se as folhinhas,
Que nos marcam os dias
Vividos entre intervalos
Decisivos a nos definir.

E, tolos, esperamos grandes
Mudanças determinadas
Pelos astros, pelos deuses
E ignoramos as velhas leis
Que regem os anos siderais.

Os ciclos são invenção humana,
Somente nós podemos contá-los
Na busca do que está por vir.
E a veterana Terra gira para mim,
Também para ti, a nos gastar.

E gastos pelo velho ano,
Esperamos um novo ano,
Menos tirano a nos matar.
Um ano bom, um ano feliz,
Próspero em nossas preces.

Forjamos mil esperanças
Justificadas em crendices,
Porque somos a revolta,
A inconsciente revolta
Contra nosso próprio fim.

E essa revolta nos consome
Porque esperamos o grande,
A grandeza da eternidade.
E esquecemos que a grandeza
Está nas eternidades pequenas.

Não sejamos tolos! Acordem!
Comemoremos o minuto de agora
Apenas, pois essa é a escala
Que nos cabe neste mundo
Medido em milhões de séculos.

Olhem à volta. Estão vendo?
A felicidade está no arrastar
Do caracol. Na rosa que se abre,
No botão que promete outra rosa,
No menino que brinca com a mãe.

Olhem ao redor próximo e sintam
Que a verdade está neste minuto,
Que a esperança está neste minuto...
No anterior já não somos mais,
Assim como não somos no seguinte.

Feliz Minuto Novo, eis o que vale!
Um ano inteiro é apenas promessa
Que pode enganar nossas almas.
O que vale mesmo é este minuto
Em que podemos amar e sentir a vida!

(JFN)

domingo, 21 de novembro de 2010

Paixões curitibanas


Mandei-te tantas flores,
Tantas rosas vermelhas
E nenhuma resposta
(Depois descobri que o florista errou o endereço!)

Nas vezes em que conversamos
Quantos segredos não revelados
Quantos enganos em nós escondidos
Num ramalhete, num bilhete
Em rosas puramente vermelhas
Que te mandei junto com o meu coração atleticano
(Como poderia adivinhar-te muda e coxa-branca?)

Dediquei a ti tantos poemas
Poemas em pétalas de rosa
Rosas vermelhas, vermelhas rosas
E nenhuma resposta.
(Como poderia saber-te daltônica e especialista em prosa?)

Definitivamente desisti.
E com os olhos vermelhos,
Vermelhos olhos,
De tantas lágrimas
Dedicadas a ti,
Fiz a felicidade da oftalmologista.


* * *Para quem não conhece Curitiba: aqui, algumas ruas chegam a ter mais cinco nomes, fora os nomes polacos impronunciáveis e os nomes semelhantes, do tipo Marechal Floriano e Marechal Deodoro. A numeração das casas é uma desgraça. É mole, mole se perder na cidade.
Atléticano(a) é o torcedor do Clube Atlético Paranaense.
Coxa-branca é o torcedor do Coritiba F. C., principal adversário do Atlético.
Os homens de Curitiba, embora com a fama de sisudos e calados, têm o salutar hábito de mandar flores para suas mulheres e namoradas.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Guerrilheira



As mentiras dos barões vende-pátria
Chafurdam na densa lama da iniquidade.
Embora nunca tenham dado ao povo
Comida no prato, honra e dignidade,
Os sanguessugas queriam nossos votos
Trocados pela moral da malignidade.

Queriam nos vender suas torpes inverdades
E até ameaçaram fechar as portas dos céu
A quem fosse demasiado humano, gente decente:
- "Joguem na fogueira esses bárbaros incréus!",
Diziam à mulher que é dona de seu corpo
E aos operários que provaram dos verdugos o fel.

E o povo disse não e elegeu Dilma guerrilheira,
Mulher que deste país nunca desertou nem fugiu,
Mulher que enfrentou o preconceito desses machistas,
Mulher que tanta barbárie presenciou e assistiu.
Mulher que enche de orgulho a gente brasileira,
Mulher que enxugará as tristes lágrimas do Brasil!

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Todos os e-mails de amor...

Escrevo-te e-mails instântaneos
Tão ridículos quanto as cartas de amor
Do tempo de Fernando Pessoa.

(Escrever coisas de amor
Será sempre esdrúxulo a qualquer tempo)

Criatura, hoje não há mais carteiro.
Meus e-mails trafegam pelo ciberespaço
E, miseravelmente chegam, talvez,
Ao imaculado juízo de teus olhos
Não mais em mal traçadas linhas;
Sem perfumes, sem pingos de lágrimas.
São elétrons ridículos a falar de amor
E que temem a desproposital tecla delete
Ou o simples esquecimento na tua Caixa Postal.

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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O berço do pequeno Jimi



Curtiu muito Rock and rool
Na breve e interrompida adolescência.
Hoje, ao lavar panelas
Olha para o berço descontente.
Chora ao ouvir um blues da Joplin
E reclama da vida
Ao ver aquele miúdo vermelho
- com a carinha de joelho -
A escancarar a boca,
Ainda sem dentes,
Num gutural choro de fome.
Impaciente, tira o peito e grita:
"Mamãe já vai dar o mamá, Hendrix!".

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O playboy que plantava capim e os furtos famélicos


Filho de nobre e opulenta família,
Que se limpava com notas de cem paus,
Quis o playboy preencher seu ócio,
Vácuo, que chamava vazio existencial.

Foi então que entrou para o Partido Verde,
Para o Greenpeace, ongs et cetera e tal.
Iria defender as pobres plantinhas,
Seria um soldado do universo animal.

Um dia descobriu um pé de capim
Que cuidou de forma genial,
Com adubo orgânico, merda pura,
Uma boa e fina destilada bosta,
Cem por cento isenta de sal.

Mas, eis que num belo dia de sol,
O rapaz de vazio preenchido
Encontrou o seu capinzal
Todo coberto de lagartos fedidos.

Ele ficou numa dúvida tremenda:
Deixaria os bichinhos comer o capim,
Ou daria fim aos invasores chatos?

Ruminou muito tempo assim pensando
No dilema que se lhe oferecia:
Não poderia matar os bichinhos
Mas também não poderia
Deixar de lado o lindo matinho.

E por fim, pensando o mundo,
O soldado da natureza se descuidou...
E veio uma vaca magra e faminta
Que ao enxergar tão lindo pasto
Rápido e rapidinho não vacilou,
Comeu tudo e bem comido,
Inclusive os suculentos lagartos
Misturados ao estrume fresquinho
Arrancado de uma criação de patos.

O playboy chorou, chegou a se desesperar
Mas, depois, pensou um pouco
E achou que devia a vaca adotar.

Foi buscar para o bicho comida natural.
Mas, quando voltou ao mesmo local,
Viu crianças pobres e famélicas
Num churrasco improvisado,
A descarnar o magro animal.

O jovem soldado da natureza
Revoltado com a audácia da pobreza,
Foi à polícia denunciar a safadeza:

"Seu delegado, amigão do meu papai,
Escreva e bem escrito o que aqui vai:
Quero denunciar um crime hediondo,
Um crime violento e ambiental.
Uns pobres meninos, uns mortos de fome,
Comeram minha vaquinha,
Que se alimentara do lagarto,
Que se alimentara do capim,
Que se alimentara da bosta,
Cem por cento isenta de sal;
Quero deixar registrado,
Isso é crime inafiançável,
Prenda-os e os quebre de pau!" (José Fernando Nandé)

A poesia errabunda dos goliardos


Errabundus - no português ficaria errabundo - era o nome que se dava na Roma de Augusto aos errantes vagabundos e vadios (os poetas de taverna inclusos!). Deste terrível rótulo, salvavam-se apenas os queridos da corte e do nobre Mecenas (que praticava uma espécie de lei Rouanet da época, mas financiada com o próprio bolso, nada de grana pública!).
Na Idade Média, estes poetas errabundos receberam do Papa a denominação do "goliardos" - uns monges-demônios, simpáticos beberrões, que erravam pela Europa falando mal de quem tinha poder: reis, nobres, juízes e a própria Igreja. As Canções de Burana, ou Carmina Burana, são exemplos do que esses monges escreviam e cantavam.
Para não deixar essa tradição morrer, ou seja, a dos poetas errabundos, retomamos em nossa página de poesia (que pode ser vista na barra da esquerda) os versos em latim clássico, embora os goliardos preferissem o latim vulgar.

Errabunda

Luna,
Dulcis errabunda,
Septies evanescit,
Saepe hominibus totis refulget,
Sed, pudica,
Tamen nuda semper,
Nonnulli hominis non est. (Veja a tradução na página Versos e Rimas).

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Haiti, os deuses que te devoram

Ai de ti, Haiti,
Que sofres ao ouvir
Os ais de teu povo.

A terra tremeu por ti Haiti,
Pelos anos de fome,
Pelos anos de matança,
nos ais infinitos de ti.

Ai de tuas crianças, Haiti,
As que sobraram órfãs.

Ai de tuas mães, Haiti,
As que sobraram sem filhos.

Hoje só há zumbis pelas ruas
E os ais sufocados por entre escombros.

Hoje tuas mães não beijam seus filhos
Que, sem nomes, dividem vala infecta.

Hoje a fome não será dividida,
Os mortos não passam fome.

Hoje a esperança chora
No interior da terra
E os tremores dos ais são seus soluços.

Terra de tantos deuses,
Por que os deuses te devoram?

sábado, 16 de janeiro de 2010

Português, pois

Agradecemos aos nossos irmãos portugueses e aos irmãos dos países que falam nossa língua pelos e-mails e acessos a nossa página de poesia. Sinceramente, obrigado.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Para meditar na passagem de ano


Recorda a substância toda, da qual és mínima parte, e o tempo todo, do qual te foi asselado um lapso breve, infinitamente pequeno; e do destino do qual és parte... de que tamanho?
Marco Aurélio


Senti e experimentei não ser para admirar que o pão, tão saboroso ao paladar saudável, seja enjoativa ao paladar enfermo, e que a luz, amável aos olhos límpidos, seja odiosa aos olhos doentes.
Santo Agostinho


Quem nunca comeu seu pão com lágrimas,
Quem nunca passou noites aflitas
Sentado no seu leito a suspirar
Não vos conhece, ó Potências benditas!
J. W. Goethe


Sou o que fui. Como homem, verdadeiro.
Sonhador, como poeta, e estreleiro.
Como cristão, de espinhos coroado.
Manuel Bandeira


Não enterres, coveiro, o meu passado,
Tem pena dessas cinzas que ficaram;
Eu vivo dessas crenças que passaram,
E quero sempre tê-las ao meu lado!
Augusto dos Anjos


Por isso eu tomo ópio.
É um remédio
Sou um convalescente do momento.
Moro no rés-do-chão do pensamento
E ver passar a vida
Faz-me tédio.
Fernando Pessoa


Por adeuses, por suspiros,
No território dos mitos,
Fica a memória
Mirando a forma ilusória
Dos precipícios
Da humana e mortal história.
Cecília Meireles


Há tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Há tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E há uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei...)
Mário Quintana


Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste,
assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Cecília Meireles

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Jovens poetas de Campina Grande do Sul



Aqui vai nosso parabéns para nossos professores de Português do ensino fundamental e médio. Abnegados eles investem na poesia. Tivemos oportunidade de participar do juri de alguns concursos em Curitiba e Região Metropolitana e nos impressionamos com o trabalho realizado no Colégio Estadual, por exemplo, em que foi possível apreciar nossos melhores poetas em declamações realmente fantásticas. Gente muito jovem provando que a poesia tem vida longa na língua de Camões.
Destacamos também o trabalho da professora Sonia Maria Marquesini e mais 64 alunos de 5ª a 8ª séries da Escola Estadual Ivan Ferreira do Amaral Filho, de Campina Grande do Sul, que estarão autografando nesta quarta-feira (03), às 19h30, na sede da escola, o livro “Caminhos da Poesia”. A publicação reúne 64 poesias selecionadas entre as 250 produzidas pelos alunos de Sonia, que participaram do projeto de estímulo à leitura desenvolvido pela professora em sala de aula.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Magna Final de Semana



O crime do capiau



Matou a Língua Portuguesa
Na mais cruel e cru crueldade.
Com uma faca desossou os "esses".
A pauladas trocou os "eles" pelo "erres".
Depois, cortou em pedacinhos
A Gramática e o Aurélio.
Feliz, lavou as mãos no rio,
Esticou a vara de pescar,
Inclinou o chapéu de palha sobre a testa,
Acendeu o "paieiro"
E lascou assunto a seu cão perdigueiro:

"Eta, vida amargurada, sô,
Não matei ninguém não,
Só dei sumiço na soberba,
Bestagens dos bestuntos,
Nas coisas de nego metido!".

O cão olhou para o capiau
Abanou lentamente o rabo,
Como se matutasse
E latiu duas vezes.

Na conversa da cachorrada
Que vive nos matos,
Na língua deles,
Que não tem gramática,
Dois latidos significam
"Ocê tá certo memo!".

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